Tiago Souza - Tecnologia, Riscos e Segurança

Autenticação 2FA e MFA: Mapeando Riscos e Controles

A autenticação multifator (MFA) e a autenticação de dois fatores (2FA) são cruciais para a proteção e segurança de contas, ativos, dados/informações e dos próprios usuários, principalmente devido a ataques de reutilização de credenciais (credential stuffing) e outros ataques cibernéticos que buscam romper as barreiras de segurança de fator único.

Respondendo ao título desse artigo: 2FA e MFA não são a mesma coisa, existem semelhanças e diferenças que precisam estar claras, inclusive que todo 2FA é um MFA, mas nem todo MFA é um 2FA. Calma que vamos explorar mais essas informações.

De acordo com a agência de segurança da infraestrutura e cibersegurança do governo americano (CISA), a autenticação multifator é uma abordagem em camadas para proteger dados e aplicativos em que um sistema exige que um usuário apresente uma combinação de duas ou mais credenciais para verificar a identidade de um usuário para login. A MFA aumenta a segurança porque, mesmo que uma credencial seja comprometida, os usuários não autorizados não poderão atender ao segundo requisito de autenticação e não poderão acessar o espaço físico, dispositivo de computação, rede ou banco de dados de destino.

Sistemas de autenticação

Um **sistema de autenticação **é um mecanismo usado para identificar um usuário por meio da associação de uma solicitação de entrada a um conjunto de credenciais de identificação. As credenciais fornecidas são comparadas às de um arquivo em um banco de dados de informações do usuário autorizado em um sistema operacional local, serviço de diretório de usuário ou em um servidor de autenticação.

Exemplos de sistemas de autenticação incluem, mas não se limitam ao active directory (AD), autenticação multifator (MFA), autenticação de dois fatores (2FA), biometria e tokens.

Abordagem comum (e simples) para comprometimento de um sistema ou aplicação

Uma abordagem comum para um indivíduo mal intencionado comprometer um sistema é explorar fatores de autenticação fracos ou inexistentes (por exemplo, senhas/frases secretas). Quando se passa a exigir fatores de autenticação fortes, se ajuda a proteger contra esse ataque. Aliás, usar um fator duas vezes (por exemplo, usar duas senhas separadas) não é considerado autenticação multifator.

Sabemos dos variados riscos que permeiam o mundo hoje em dia quando pensamos no ambiente virtual, que não há qualquer limitação de fronteiras físicas ou geográficas. Já vimos casos reais de comprometimento de usinas nucleares por ataques cibernéticos em variados países movidos por interesses escusos, de hóspedes que ficaram presos em quartos de hotéis devido a ataques de ransomware entre muitos outros. Para colocar mais uma pitada de provocação, considere a tudo isso os seguintes argumentos:

Obviamente as possibilidades são muito grandes, e não é meu objetivo tentar listar o máximo possível, mas apenas informar as principais (e até fáceis) que podem ser usadas por um agente malicioso. Consegue imaginar como o impacto pode ser enorme?

Por isso, a exigência de mais de um tipo de fator de autenticação reduz a probabilidade de um invasor obter acesso a um sistema se mascarando como um usuário legítimo, afinal, o invasor precisaria comprometer vários fatores de autenticação. Isso é especialmente verdadeiro em ambientes onde tradicionalmente o único fator de autenticação empregado era algo que o usuário conhece, como uma senha ou frase secreta.

Diferenças entre 2FA e MFA?

Outros tipos de informações, como geolocalização e hora, podem ser inclusos em um processo de autenticação. Por exemplo, dados de geolocalização e de hora podem ser usados para restringir o acesso remoto à uma rede de uma organização.

Embora o uso desses critérios adicionais possa reduzir ainda mais o risco de sequestro da conta ou de atividade mal-intencionado, o método de acesso remoto ainda precisa exigir autenticação através de pelo menos dois dos seguintes fatores: algo que você sabe, algo que você tem ou algo que você é.

MFA vs 2FA

Como já vimos, a autenticação de dois fatores (2FA) requer dos usuários dois métodos de autenticação, enquanto a autenticação multifator (MFA) requer pelo menos dois (se não mais) métodos de autenticação.

Assim, podemos concluir que todo 2FA é um MFA, mas que nem todo MFA é um 2FA.

Riscos e recomendações de segurança

Como exemplos de riscos e de boas práticas ligadas ao uso de autenticação multifatores, podemos extrair informações valiosas de variados frameworks e de requisitos de certos mercados, usando-os como insights para nossas práticas.

Para fins de conhecimento e extração de insights, de acordo com o requisito 8.5.1 do PCI DSS 4.0, os sistemas MFA devem ser implementados da seguinte forma, de forma que sejam resistentes a ataques e controlam estritamente qualquer anulação administrativa.

Além disso, vale citar que os mecanismos de autenticação usados para a MFA devem ser independentes uns dos outros, de tal forma que o acesso a um fator não conceda acesso a nenhum outro, e o comprometimento de qualquer fator não afete a integridade ou a confidencialidade de qualquer outro fator.

Por exemplo, se o mesmo conjunto de credenciais (como o nome de usuário/senha) for usado como um fator de autenticação e também para obter acesso a uma conta de e-mail onde um fator secundário (por exemplo, senha única) é enviado, esses fatores não são independentes. Da mesma forma, um certificado de software armazenado em um laptop (algo que você tem) que é protegido pelo mesmo conjunto de credenciais usadas para efetuar login no laptop (algo que você sabe) pode não oferecer independência.

O problema com credenciais de autenticação incorporadas no dispositivo é uma possível perda de independência entre fatores, ou seja, a posse física do dispositivo pode conceder acesso a um segredo (algo que você sabe), bem como um token (algo que você tem), como o próprio dispositivo, ou um certificado ou token de software armazenado ou gerado no dispositivo.

Dessa forma, a independência dos fatores de autenticação é frequentemente realizada através da separação física dos fatores, todavia, ambientes de execução altamente robustos e isolados (como um TEE, SE e TPM) também podem ser capazes de atender e manter a independência dos fatores.

Proteção dos fatores de autenticação

Para prevenir o uso indevido, a integridade dos mecanismos de autenticação e a confidencialidade dos dados de autenticação precisam ser protegidas. Para tal, deve-se considerar:

Quando quaisquer elementos de autenticação dependerem de um dispositivo de consumo multiuso, como smartphones, computadores e tablets, controles também devem estar em vigor para mitigar o risco do dispositivo sendo comprometido.

Controles do CIS para endereçar riscos relacionados à autenticação

O CIS (Center of Internet Security) é uma organização sem fins lucrativos, voltada para a comunidade de segurança. É responsável pelo CIS Controls, que são um conjunto prioritário e prescritivo de práticas recomendadas de segurança cibernética e ações defensivas que podem ajudar a prevenir os ataques mais generalizados e perigosos, dando suporte à conformidade em uma era de múltiplas estruturas.

Os Controles CIS são desenvolvidos por uma organização extremamente respeitada e conceituada no setor de segurança da informação, por fazer recomendações atuais e concretas para ajudar as organizações a melhorar sua postura de segurança por meio de determinados controles de segurança, críticos para uma defesa cibernética eficaz.

O verdadeiro poder dos Controles CIS não é criar "a melhor lista", mas sim aproveitar a experiência de uma comunidade de pessoas e empresas para realmente fazer melhorias na segurança por meio do compartilhamento de ideias, ferramentas, lições e ações coletivas. A versão atual do framework (v8) combina e consolida os controles CIS por atividades.

Caso queira conhecer mais a fundo a estrutura do CIS Controls, saiba que ela está estruturada pelos seguintes elementos:

Agora, considerando especificamente controles que podem ser utilizados para endereçar riscos e preocupações ligados a mecanismos de segurança para autenticação de contas/credenciais/serviços, apresento alguns controles e medidas de segurança apresentados pelo CIS Controls que você pode explorar.

Obviamente, essa não é uma relação exaustiva, e deve ser avaliado conjuntamente com outras práticas apresentadas pelo framework, bem como estudar a aplicabilidade em seu contexto e organização.

Como recomendação, considere os grupos IG1, depois os IG2 e, por fim, os IG3 das práticas do CIS.

A propósito, e não menos importante: controle a ansiedade e não pule etapas :)

Referências e indicações adicionais:

Considerações finais

Seja qual for a estratégia de MFA a ser realizada, deve contar com a mais alta segurança e os métodos de menor fricção possíveis, sempre com o objetivo de equilibrar experiência do usuário e segurança digital.

Por aqui no site, temos inúmeras publicações relacionadas à segurança cibernética e segurança da informação, não deixe de conferir e explorar os conteúdos publicados.

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Com informações de CIS Controls v8, Incognia e PCI DSS.

Imagem do post por rawpixel (via freepik - banco de imagens gratuito)

 


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